Cyberbullying: o que é, como identificar e o que fazer (guia para pais)
O que é cyberbullying, onde acontece, como reconhecer os sinais e o que fazer passo a passo: guardar provas, denunciar na plataforma, acionar a escola e a lei. Com os canais de ajuda no Brasil e em Portugal.

Cyberbullying é quando uma criança ou um adolescente é intimidado, humilhado ou ameaçado de forma repetida pela internet: em grupos de WhatsApp, comentários no Instagram e no TikTok, jogos online ou mensagens privadas. Diferente da briga no recreio, ele não acaba quando o sinal toca. Continua no celular, à noite e no fim de semana, e pode ser visto por centenas de pessoas.
Neste guia você vai entender o que é cyberbullying, como reconhecer os sinais, o que fazer passo a passo, o que diz a lei brasileira e onde pedir ajuda. As informações são de outubro de 2026.
O que é cyberbullying
A Lei 13.185/2015, que criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, define o cyberbullying como a "intimidação sistemática na rede mundial de computadores": usar a internet para depreciar alguém, incitar a violência ou alterar fotos e dados pessoais com o objetivo de causar constrangimento (Lei 13.185/2015).
Três características ajudam a separar o cyberbullying de uma discussão pontual:
- Repetição. Não é uma mensagem grosseira isolada, e sim um padrão que se repete.
- Intenção de ferir. O objetivo é humilhar, excluir ou assustar.
- Desequilíbrio de poder. Um grupo contra um, alguém mais velho ou mais popular, ou o anonimato de quem ataca.
O problema é comum. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, 12,7% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram ter sido ameaçados, ofendidos ou humilhados em redes sociais ou aplicativos, e 10% admitiram ter praticado cyberbullying (IBGE). Entre as meninas, o índice chega a 15,2%.
Tipos de cyberbullying
- Ofensas e xingamentos em comentários, mensagens diretas ou grupos.
- Exclusão: tirar a criança do grupo da turma, combinar de ignorá-la ou criar um grupo paralelo só para falar dela.
- Exposição: compartilhar prints de conversas privadas, fotos constrangedoras ou montagens.
- Perfis falsos: criar uma conta em nome da criança para postar coisas que ela não disse.
- Ameaças e perseguição: mensagens intimidadoras, inclusive em jogos online como Roblox e Free Fire.
- Imagens íntimas e nudes falsos criados com inteligência artificial. Aqui já não se trata só de bullying: é crime grave e deve ir direto à polícia.
Onde o cyberbullying acontece
O cyberbullying vai aonde as crianças estão. Segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet, e os apps mais usados todos os dias são WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok. Na edição de 2024, 12% disseram ter sido tratados de forma ofensiva na internet nos últimos 12 meses; entre 15 e 17 anos, 18% (Cetic.br).
- Grupos de WhatsApp da turma: é onde mais acontecem a exclusão, os apelidos e a circulação de prints e figurinhas com a foto de alguém.
- Instagram e TikTok: comentários em massa, perfis de "fofoca" sobre alunos de uma escola, vídeos que ridicularizam um colega.
- Jogos online: xingamentos no chat, exclusão de times e perseguição de um jogador específico.
- Mensagens diretas: ameaças e chantagem, longe dos olhos de outros adultos.
Por isso, saber quais apps seu filho usa e em que horários é o primeiro passo para perceber o problema a tempo.
Sinais de que seu filho pode estar sofrendo cyberbullying
Muitas crianças não contam, por vergonha ou por medo de perder o celular. Fique atento a mudanças como estas:
| O que você percebe | O que pode significar |
|---|---|
| Fica tenso ou triste depois de olhar o celular | Recebeu mensagens ou comentários ofensivos |
| Esconde a tela ou apaga conversas quando você chega | Tem medo ou vergonha do que está acontecendo |
| Saiu de repente de grupos ou parou de postar | Foi excluído ou está sendo alvo de piadas |
| Não quer ir à escola, reclama de dor de barriga ou de cabeça | Os agressores estão na mesma escola |
| Dorme mal, perdeu o apetite, se isolou dos amigos | O problema já afeta a saúde emocional |
Nenhum sinal isolado prova nada. Mas, se vários aparecem juntos, vale puxar conversa com calma, sem interrogatório.

O que fazer: passo a passo
- Ouça primeiro. Diga que ele fez certo ao contar e que a culpa não é dele. Evite a reação "então vou tirar seu celular": é o motivo número um para os filhos esconderem o problema.
- Não responda ao agressor. Nem a criança, nem você. Respostas costumam alimentar o ataque.
- Guarde as provas. Tire prints com data, hora e nome do perfil; copie os links das publicações. Faça isso antes de bloquear ou denunciar, porque o conteúdo pode sumir.
- Bloqueie e denuncie na plataforma. No Instagram, além de bloquear, dá para usar Restringir (os comentários da pessoa ficam visíveis só para ela) e Palavras ocultas, que filtra ofensas (Instagram). No TikTok, contas de menores de 16 anos já vêm com comentários restritos a amigos, e a Sincronização Familiar (Family Pairing) permite controlar quem envia mensagens diretas (TikTok). No Roblox, use Report Abuse na própria conversa ou experiência.
- Peça a remoção do conteúdo. Desde 17 de março de 2026, o ECA Digital obriga as plataformas a remover conteúdo que viole direitos de crianças e adolescentes assim que a vítima ou os pais notificarem, sem precisar de ordem judicial (art. 29). A notificação precisa identificar o conteúdo e quem está pedindo; denúncias anônimas não valem para esse pedido (Lei 15.211/2025).
- Avise a escola. Pela Lei 13.185/2015, escolas têm o dever de prevenir e combater o bullying, inclusive o virtual. Leve as provas e peça um plano concreto.
- Procure a polícia quando houver ameaça, exposição de imagens íntimas, perfil falso ou perseguição. Registre um boletim de ocorrência na delegacia ou, se o seu estado oferecer, na delegacia online.
Como conversar com seu filho sobre o assunto
Crianças falam mais quando a conversa não parece um interrogatório. Algumas ideias que funcionam:
- Comece por algo neutro: "Vi uma notícia sobre perfis de fofoca de escola. Isso existe na sua?"
- Pergunte sobre os outros antes de perguntar sobre ele: "Alguém da sua turma já foi zoado no grupo?"
- Prometa que não vai tirar o celular por ele ter contado algo, e cumpra.
- Combine juntos o que fazer: quem bloquear, o que denunciar, quando avisar a escola.
O que diz a lei brasileira
- Bullying e cyberbullying são crimes. A Lei 14.811/2024 incluiu o art. 146-A no Código Penal. A intimidação sistemática é punida com multa. A versão virtual, praticada por redes sociais, aplicativos, jogos online ou transmitida em tempo real, tem pena de 2 a 4 anos de reclusão e multa, se não constituir crime mais grave (Lei 14.811/2024).
- A mesma lei endureceu as regras sobre incentivo à automutilação e ao suicídio na internet, que passou a ser crime hediondo.
- O ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde 17/03/2026, exige que as plataformas tenham políticas contra o cyberbullying, mecanismos de apoio às vítimas, ferramentas de supervisão para os pais e a remoção rápida de conteúdo após notificação. As multas podem chegar a 10% do faturamento no Brasil.
- Quando o agressor é menor de 18 anos, a responsabilização segue o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com medidas próprias para a idade. Ainda assim, vale registrar o caso.
Onde pedir ajuda
- SaferNet Brasil, canal de ajuda: atendimento gratuito e sigiloso por chat e e-mail para crianças, adolescentes, pais e professores em casos de cyberbullying, exposição de imagens e contatos de risco. Denúncias de conteúdo ilegal vão para a Central Nacional de Denúncias (SaferNet).
- Disque 100: ligação gratuita, 24 horas, também pelo WhatsApp (61) 99611-0100. Recebe denúncias de violência contra crianças e adolescentes, inclusive anônimas.
- Conselho Tutelar do seu município, para casos que envolvam a proteção da criança.
- CVV, 188: apoio emocional gratuito, 24 horas, se seu filho estiver muito abalado.
- 190 em caso de risco imediato.
Em Portugal
Não existe um crime específico de cyberbullying, mas condutas como perseguição (art. 154.º-A do Código Penal), ameaça e difamação são crimes. Para ajuda: Linha Internet Segura, 800 21 90 90 (gratuita, nos dias úteis), SOS Criança, 116 111 ou WhatsApp 913 069 404, e 112 em emergência. Em 2025, a Linha Internet Segura acompanhou 949 casos, 119 deles com vítimas menores de idade.
Se o seu filho é quem pratica o cyberbullying
Descobrir isso dói, mas é uma chance de agir cedo. Converse sem humilhar, mostre as mensagens e pergunte o que aconteceu. Muitas vezes o "agressor" está repetindo o que vê no grupo para não virar alvo. Deixe claro que pedir desculpas, apagar o conteúdo e não repetir é o mínimo, e combine com a escola como reparar o dano. Lembre também que, desde 2024, o cyberbullying é crime no Brasil.
Como prevenir
- Combine regras antes do primeiro celular: que apps pode usar, perfis privados, nada de fotos de outras pessoas sem permissão.
- Configure a privacidade juntos: perfil fechado no Instagram e no TikTok, mensagens só de amigos, localização desligada.
- Use o controle parental do celular. Veja nosso guia de controle parental no Android e o do Google Family Link.
- Mantenha a conversa aberta. Pergunte sobre os grupos e os jogos com a mesma naturalidade com que pergunta sobre a escola.
Uma ferramenta de controle parental pode ajudar a perceber mais cedo que algo mudou: um app usado até tarde da noite, conversas em mensageiros que de repente ocupam horas. O ideal é usá-la às claras, combinada com a criança, e não como vigilância secreta.

Perceba os sinais antes que virem uma crise. No Android, o KidInspector mostra quanto tempo seu filho passa em cada app e faz capturas de tela da atividade em mensageiros compatíveis, com reconhecimento de texto no Android e no macOS. Use nos seus dispositivos e nos dos seus filhos, e conte a eles que está ativado. Não funciona no iPhone.
Para uma visão geral das ferramentas, leia nosso guia de controle parental.
Perguntas frequentes
Sim. Desde janeiro de 2024, o art. 146-A do Código Penal prevê pena de 2 a 4 anos de reclusão e multa para a intimidação sistemática virtual, se a conduta não constituir crime mais grave.
Sim. Pelo ECA Digital, em vigor desde março de 2026, a plataforma deve remover conteúdo que viole direitos da criança após notificação da vítima ou dos responsáveis, sem ordem judicial. Use o canal de denúncia do próprio app e identifique-se como responsável.
Em geral, não. Tirar o celular faz a criança sentir que está sendo punida por ter sido vítima, e ela deixa de contar da próxima vez. É melhor bloquear os agressores, ajustar a privacidade e combinar pausas.
Com prints que mostrem data, hora e o perfil do autor, links das publicações e, se possível, testemunhas. Guarde tudo antes de bloquear ou denunciar.
O bullying acontece presencialmente; o cyberbullying, pela internet. O virtual alcança mais pessoas, fica registrado e não tem hora para acabar, e por isso a pena prevista na lei é maior.
Acompanhe o celular e o computador do seu filho em um só painel. No KidInspector você vê o tempo em cada app, os sites visitados e as capturas de tela, conforme a plataforma: Android, Windows e macOS. Não funciona no iPhone.



